Os discursos à Nação proferidos pelo Presidente do MPLA e da República de Angola, João Lourenço, e pelo Presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, trouxeram perspetivas contrastantes sobre a questão da pobreza no país. Estes discursos, pronunciados a 15 e 11 de outubro de 2024, respetivamente, oferecem um panorama divergente sobre os desafios sociais e as estratégias de combate à exclusão e desigualdade em Angola.
O MPLA governa Angola desde 1975 e é designado por “Governo Luz”, enquanto a UNITA, maior partido da oposição político-partidária em Angola, é designado por “Governo Sombra”. Os dicursos foram dirigidos à Nação angolana, com diferentes condições, recursos e eixos de análise. Dos textos integrais, extraimos apenas as questões estritamente relacionadas com a Pobreza em Angola. Fizemo-lo com objetivo de criar um paralelismo entre o governo em exercício e a oposição que se autodenomina “governo sombra”.
O Governo Luz, representado por João Lourenço, enfatizou ações concretas como o Programa Kwenda, que já beneficiou mais de 1 milhão de famílias, e a criação de 292 mil empregos no primeiro semestre de 2024. Destacou também investimentos em formação profissional, com a abertura de novos centros e capacitação de jovens, além de iniciativas para promover o autoemprego. Contudo, críticas podem ser feitas à dependência de financiamentos externos e à ausência de uma abordagem estrutural mais abrangente para enfrentar as raízes da pobreza.
Por outro lado, o Governo Sombra, liderado por Adalberto Costa Júnior, denunciou a ineficácia das políticas económicas, retratando um cenário de pobreza crescente e fuga de cérebros. O discurso apontou para a precariedade vivida por milhões de angolanos, com destaque para dados alarmantes sobre desemprego, insegurança alimentar e exclusão escolar, particularmente entre mulheres e crianças. Apesar de chamar a atenção para problemas estruturais graves, o discurso peca por não apresentar propostas concretas que possam servir de alternativa viável às políticas governamentais.
No confronto destas narrativas, o Governo Luz apresenta uma abordagem mais orientada para ações práticas e resultados, enquanto o Governo Sombra foca na denúncia da realidade social sem avançar soluções claras. Ambos os discursos, embora distintos, sublinham a urgência de enfrentar os desafios da pobreza em Angola com estratégias sustentáveis e inclusivas.
A QAB promove também o debate crítico e a análise de políticas públicas para contribuir com a reflexão e a melhoria contínua da governação.