27 A 29 DE AGOSTO – 100% ONLINE
Participantes com perfis profissionais distintos: professores universitários do ISPTEC e da FCS-UAN, gestores de agronegócios, financeiros, bancários, engenheiros, pedagogos e analistas internacionais.
Chegámos ao fim da formação Pensamento Crítico e Produção Científica com uma convicção que atravessou os três dias de trabalho: pensar melhor é uma competência intelectual adquirida; é assumir uma responsabilidade perante o que afirmamos, decidimos e fazemos circular como conhecimento.
Ao longo das sessões, partimos de uma questão aparentemente simples: como sabemos que aquilo em que acreditamos merece, de facto, ser acreditado? A pergunta deslocou-nos progressivamente da opinião para o argumento, do argumento para a evidência e da evidência para os critérios que nos permitem avaliá-la.
Foi nesse percurso que o pensamento crítico deixou de ser uma mera técnica de análise e passou a revelar-se como uma disciplina da própria inteligência. Aprendemos que questionar não significa desconfiar indiscriminadamente, assim como discordar não significa necessariamente pensar criticamente. O exercício consiste em submeter as nossas próprias convicções ao mesmo escrutínio que aplicamos às ideias dos outros. A crítica mais difícil é aquela que começa por nós.
Discutimos factos, interpretações, pressupostos, vieses, falácias e argumentos. E percebemos que muitos dos erros de raciocínio não resultam de falta de inteligência, mas da nossa tendência para preencher lacunas, procurar confirmações, simplificar problemas complexos e transformar rapidamente hipóteses em certezas. Em contextos profissionais, institucionais e académicos, esta tendência pode ter consequências particularmente sérias: uma decisão mal fundamentada pode afectar pessoas; uma informação mal avaliada pode orientar políticas; uma conclusão precipitada pode converter-se em conhecimento aparentemente legítimo.
A passagem para a investigação científica tornou essa exigência ainda mais evidente. Aprendemos que investigar não começa pela acumulação de informação, mas pela capacidade de formular adequadamente um problema. Um problema mal construído produz perguntas frágeis; perguntas frágeis conduzem a objectivos pouco precisos; e objectivos pouco precisos dificilmente sustentam uma investigação metodologicamente coerente.
Falámos de revisão da literatura, fontes, métodos, dados, operacionalização de conceitos, construção de argumentos e escrita académica. Mais do que aprender a preencher a estrutura de um trabalho científico, procurámos compreender a lógica que deve existir entre cada uma dessas etapas. Uma investigação não se torna rigorosa porque apresenta muitas páginas, muitas referências ou linguagem sofisticada. Torna-se rigorosa quando existe correspondência entre o problema que se formula, aquilo que se pretende conhecer, o modo como se procura conhecer e as conclusões que as evidências permitem sustentar.
Na oficina de pensamento crítico e escrita académica, essa aprendizagem ganhou uma dimensão prática: pensar, escrever e rever passaram a fazer parte do mesmo processo. Porque escrever bem, em contexto académico, não é ornamentar ideias; é organizar o pensamento de tal modo que o leitor consiga acompanhar o percurso que conduz de uma afirmação à sua justificação.
E talvez uma das lições mais importantes tenha sido esta: a ciência não é a arte de estar sempre certo. Talvez a disposição metodológica para descobrir onde podemos estar errados.
Terminamos, portanto, não com a pretensão de possuir respostas definitivas, mas com algo intelectualmente mais valioso: melhores perguntas, maior rigor na procura de respostas e maior humildade perante aquilo que ainda não sabemos.
A formação terminou. O exercício de pensar criticamente, não.


